Pov de Jacob


Estava deitado na cama, mergulhado em pensamentos sobre a minha vida e o que ela havia se tornado. Meu pai bateu na porta e a sombria atmosfera do meu quarto foi interrompida por sua presença.


— Filho, você já está acordado?


— Sim, pai. Pode entrar.


Ele abriu a porta e entrou, deslizando pelo quarto em sua cadeira de rodas. A preocupação estampada em seu rosto envelhecido era palpável.


— Filho, o que está acontecendo? Já faz dias que percebo seu comportamento. Você não sai para se divertir, vai cedo para a faculdade, depois direto para a oficina. Quando não está em ronda, vive trancado aqui. Está acontecendo algo grave?


— Não, pai. Pode ficar tranquilo.


— Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.


— Eu sei, pai. É só que estou sobrecarregado com tantas responsabilidades. Se não saio, é porque estou exausto. — Disse, esfregando o rosto com as mãos.


— Você está na idade de se divertir, de encontrar alguém.


— Não tenho tempo para isso. Já perdi tanto da minha vida com essas responsabilidades, agora quero tomar um rumo diferente. Quero ser alguém, ter sucesso, e só então pensar em encontrar uma namorada e me casar.


— Tem certeza disso?


— Sim, pai. Se estou sozinho é porque ainda não encontrei alguém que me complete. Sinto que ela está por aí, em algum lugar, esperando por mim. Quando a encontrar, saberei.


— Você não está feliz com sua vida aqui na reserva, não é?


— Não é isso, pai. Eu simplesmente não quero me perder nessa busca sem fim pela causa da nossa guerra com "eles". Não tenho nada a ver com isso.


— Como não! Você é descendente direto do...


— Ok, não precisa me lembrar disso o tempo todo. — Interrompi, frustrado. — Nossa tribo procura por alguém que nem sabemos se existe, alguém cuja identidade é um mistério. Às vezes me pergunto se tudo isso é apenas uma lenda. Não quero sacrificar os melhores momentos da minha vida por causa de uma história que pode nem ser real!


— Está bem. Vamos parar com isso. Vá tomar um banho e se arrumar para a faculdade.


— Ok.


Levantei-me, peguei uma toalha do armário e fui em direção ao banheiro. A água do chuveiro parecia fria, não apenas pela temperatura, mas pela sensação de distanciamento que sentia em relação à minha própria vida. Enquanto a água caía, tentei não pensar nas responsabilidades que carregava, nas expectativas de uma tribo e de um destino incerto.


A imagem de uma jovem mulher, uma possível chave para o enigma que minha vida se tornara, começou a assombrar meus pensamentos. Era como se uma sombra invisível a seguisse, e uma sensação de inquietação se instalava em meu peito. Havia algo de mais sombrio na minha busca, uma presença que parecia estar mais perto do que eu imaginava.


Após o banho, me sequei e estava prestes a me vestir quando o telefone começou a tocar, eu havia esquecido na sala. Meu pai bateu na porta.


— Filho, telefone!


— Quem é?


— É a Jessica Stanley.


— Ela disse o que quer?


— Parece que ela está com um problema no carro.


— Já vou atender!


Sem perder tempo, vesti uma camiseta e fui até o telefone.


— Oi, Jessica.


— Oi, Jacob, bom dia.


— Bom dia.


— Desculpe te atrapalhar tão cedo.


— Que isso, você sabe que pode me ligar a qualquer hora. Algum problema com o carro?


— Na verdade, não sou eu. Estou na casa de uma amiga e o carro dela está com problemas.


— Entendi. Me passa o endereço.


Peguei um bloquinho ao lado do telefone e anotei o endereço que ela me passou.


— Sei onde fica. Estarei aí em breve.


Coloquei meus tênis e saí apressado. O endereço levou-me a uma casa charmosa, mas a visão que tive ao chegar foi de algo que parecia sair de um conto de fadas. Uma linda garota estava ao lado de Jessica.


— Oi, Jessica, vim o mais rápido que pude. — Disse com meu melhor sorriso, olhando para Jessica e depois para a jovem, que parecia ser a fonte de uma inquietação inexplicável.


— Ah, essa é Isabella Swan. Bela, este é Jacob Black.


— Oi, Isabella.


— O-oi, mas por favor me chame de Bella.


— E então, Bella, o que aconteceu?


— Bom... Eu não entendo muito de carros. Tentei ligar e fez um barulho estranho.


Sem perder tempo, fui até o carro.


— Dá a partida pra mim? — Pedi com um sorriso que não consegui evitar.


— C-claro. — Bella respondeu, visivelmente nervosa, e eu percebi seu rosto corar um pouco, o que me fez sorrir internamente.


Ela entrou no carro e eu abri o capô. O barulho do motor era perturbador.


— Pode desligar. — Ordenei, observando o motor com uma expressão séria.


— O que é?


— Parece que o motor está com um problema sério. Há uma peça solta, o que pode causar mais danos se não for consertado logo.


— Vai demorar muito para consertar?


— Na verdade, vai sim. Eu preciso abrir o motor para avaliar completamente. Deve estar pronto na hora do almoço. Posso pedir para levarem o carro para você na faculdade.


— Tudo bem então. Você me leva hoje, Jessica?


— Claro, vamos.


— Obrigada por vir tão cedo. — Bella disse, tentando sorrir.


— Não foi nada. — Respondi, mantendo a mesma amabilidade.


Nos despedimos e elas partiram para a faculdade. Assim que elas saíram, liguei para Embry, pedindo que trouxesse o guincho. Enquanto esperava, uma sensação de desconforto começou a crescer dentro de mim. Havia algo estranho na forma como Bella reagira, algo que eu não conseguia identificar, mas que me fazia sentir uma inquietação profunda.


Quando Embry chegou, guinchamos o carro de Bella e o levamos de volta para a oficina. O que eu não sabia era que aquele carro não era o único problema que eu enfrentaria. Algo sinistro estava no ar, e minha curiosidade sobre Bella só fazia a sensação de que algo terrível estava por vir crescer.


De volta à oficina, expliquei o que precisava ser feito e logo voltei para casa para me arrumar para a faculdade. Enquanto me preparava, a imagem de Bella, e o mistério que parecia envolvê-la, não saía da minha mente. Algo sombrio parecia estar se formando, e eu sentia que estava prestes a mergulhar em um abismo de segredos e perigos.


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